Está cada vez mais difícil torcer pelo Flamengo. Mas se eu quisesse moleza, torcia "pro que ganhar". Desde o último domingo venho lendo e ouvindo algumas considerações acerca do vexame retumbante frente ao Glorioso Audax e posso afirmar, categoricamente, que discordo de todas elas. Isto porque, em todas as opiniões que vi até agora, sempre encontro aquele "mas" ou aquele "no entanto", normalmente sucedido de justificativas inócuas e argumentos pouco críveis. Não, o Flamengo não pode perder pro Audax. Nunca. Nem se - São Judas Tadeu livre e guarde - estivéssemos disputando a Série C. Senão, vejamos.
Arthur Muhlemberg fala do acerto financeiro, da reorganização do clube, estrutura e etc, e de como todos estes fatores interferem no futebol. Renato Maurício Prado e Carlos Eduardo Mansur lembraram a saída de Love, o (des)acerto na contratação de Carlos Eduardo, a falta de reforços. Mas eu pergunto: será o Felipe menos goleiro que o Rafael Sandes? Será o João Paulo menos lateral que o Romário? Ou Rodolfo menos jogador que o Diego Sales? Nem se dê ao trabalho de pensar, porque não são. O time do Audax é tecnicamente medíocre. A verdade é que é uma vergonha submeter Fla, Flu, Vasco e Bota a jogar contra os ditos pequenos do Rio. Pior que isso. É humilhante nos submeter a assistir isso. Mas o que é realmente inegável e incontestável é que o Audax jogou com o melhor reforço de qualquer time, o verdadeiro camisa 10 de uma equipe esportiva: vergonha na cara.
A verdade é que o Flamengo, em qualquer momento que estiver vivendo, tem a obrigação moral de entrar pra ganhar o jogo. O resultado em si é outra história, do contrário, futebol seria tão previsível e entediante que não seria classificado como esporte. Um time do porte do Flamengo, principalmente pela quantidade de gente que representa, não pode simplesmente se abster de jogar. O Audax jogou bola, partiu pra cima, lutou até o fim, honrou sua camisa azul-laranja e fez da raça o seu craque.
De cabeça consigo lembrar de Botafogo, Bangu e Audax, todos times que conseguiram balançar as nossas redes antes dos cinco minutos de jogo. Isso sem contabilizar o Resende, que alcançou a proeza no segundo tempo. Isso mostra uma obviedade: entramos dormindo! Não sei se deslumbrados com a camisa que vestem, ou se pouco importados com o que representam ou dopados com o macarrão do meio-dia.
O fato é que precisamos, mais até do que voltar a vencer, voltar a se entregar. Falo isso sem a menor hipocrisia, não me importo quando perdemos jogando bem, partindo pra cima, dando bico e batendo canela. O que me chateia é ver um time apático, pálido, como se não tivéssemos torcida, faltasse água ou tivéssemos uma estrela só.
Espero, sinceramente, que Salve Jorge consiga, nestes 55 dias de "pré-temporada", arrumar esse time, que honestamente não considero tão ruim quanto propalam por aí. De preferência fazendo todas as substituições e alterações que julgar necessárias, enquanto treina. Time pra mim tem que ter padrão. Essa história de joga um hoje e amanhã não joga ninguém é furada. Vamos que vamos, sempre no sapatinho, mas com sangue nas córneas.
SRN!
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